quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Tu és fonte de Vida – Abrantes





Foi a oração “Tu és Fonte de Vida que abrir mais um encontro diocesano de Taizé na Diocese de Portalegre – Castelo Branco.
 Aconteceu em Abrantes, no passado dia 13 de Outubro, a VII edição do Encontro Diocesano de Taizé. Um dia de oração, reflexão, diálogo e testemunho, à semelhança dos outros anos, mas este ano com uma particularidade especial: um tempo de diálogo sobre a Juventude, em comunhão com o Papa Francisco no Sínodo dos Bispos em Roma. Participaram este ano, durante as várias iniciativas, e ao longo de todo o dia, pouco mais de 100 jovens, vindos maioritariamente dos arciprestados de Abrantes, Portalegre e Sertã. 




No momento da manhã, os jovens reuniram-se na Igreja de São João para rezar pela juventude e pelas Vocações. Ao som das orações cantadas de Taizé, os jovens foram desafiados a reflectir as suas raízes, as suas histórias de fé, a relação com Deus, o modo como “usavam” essa relação e esse dom, no seu dia-a-dia. Os jovens rezaram, reflectiram e... partiram para a cidade, em pequenos grupos, para dialogarem e partilharem sobre o que tinham rezado e escutado.

Depois do passeio pela cidade de Abrantes, e após o almoço, chegou o tempo do regresso aos “trabalhos”, que se seguiram na Casa da Boa Esperança. Depois de um tempo de animação ao som do tocar das cordas da guitarra, iniciou-se um tempo de “testemunhos Vocacionais”. Estiveram presentes para testemunhar a sua vocação a Família Marques de Abrantes (Vocação Matrimonial) a Irmã Fernanda da Comunidade Salesiana da Chainça (Vocação Religiosa) e o Padre Diocesano Daniel Almeida, da Sertã (Vocação ao Sacerdócio). Durante pouco mais de hora e meia, “estes vocacionados”, desafiaram e despertaram os jovens para a realidade “Vocação”, “Projecto de Vida” e “Felicidade”.

Com Sínodo dos Bispos a acontecer em Roma, onde a realidade dos trabalhos do Papa Francisco com os Bispos incide sobre a Juventude, a Fé e o Discernimento Vocacional, vive-se um tempo muito rico de esperança e entusiasmo na Igreja. Essa razão conduziu a parte final da tarde, dedicada ao diálogo sobre os jovens na Igreja. Antes do diálogo, foi apresentado os resultados do inquérito do Papa Francisco enviado aos jovens e aos adultos na diocese de Portalegre – Castelo Branco, no final do ano de 2017. Foram os resultados do inquérito aos jovens que deram o ponto de partida ao diálogo entre todos. Neste diálogo estiveram presentes o Bispo Diocesano, D. Antonino Dias, a Joana Serôdio (representante dos jovens portugueses nos trabalhos pré-sinodais em Roma), o Filipe Pires (animador do grupo de jovens da Cidade “Estrela da Manhã”) e do Senhor Baptista (adulto com “história juvenil” na cidade), ambos da Paróquia de São Vicente. Participaram neste diálogo em representação dos vários movimentos juvenis presentes na Diocese de Portalegre – Castelo Branco, o João Paulo (Movimento Mariana Vicentina), o Rui Canatário (Movimento Teresiano de Apostolado), o André Pais (Convívios Fraternos), a Graça Sebastião (Focolares) e a Crisalda Gonçalves (Corpo Nacional de Escutas), estando neste diálogo quase a totalidade dos movimentos juvenis presentes na diocese. Foi uma oportunidade de diálogo sobre a realidade dos jovens na diocese, mas também uma oportunidade de escuta dos jovens que estavam a participar no encontro. O diálogo foi muito interessante, mas “aquela hora foi curta” para tanto o que havia para conversar. No final era unanime: todos queriam mais oportunidades e mais tempo para dialogar. A tarde terminou com a celebração da Eucaristia na Igreja de São Vicente, presidida pelo senhor Bispo D. Antonino.

O encontro terminou à noite com a Vigília de Oração pelos bons frutos dos trabalhos dos Sínodo dos Bispos e pela Juventude. Uma oportunidade de oração em acção de graças pelos 10 anos da presença e Missão do nosso Bispo, D. Antonino Dias, na diocese de Portalegre – Castelo Branco, de oração pelos sacerdotes e pelas vocações, mas também pela generosidade das famílias de acolhimento, que proporcionaram aos jovens um sentir familiar, em redor da mesa do jantar, na partilha do pão, mas principalmente na partilha da alegria cristã. Mesmo sob o receio dos avisos vermelhos e amarelos pela presença da Tempestade Leslie no centro do País, a Vigília da noite foi vivida num ambiente muito intenso e profundo, com os jovens, a comunidade cristã que veio de vários pontos da diocese, e de alguns sacerdotes que se fizeram presentes para rezar e viver com os jovens este tempo tão belo de comunhão.

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sábado, 15 de setembro de 2018

PODEM MANDAR-NOS PARA O CHILINDRÓ!…


PODEM MANDAR-NOS PARA O CHILINDRÓ!…

A História orgulha-se de ter tido grandes líderes, homens humildes e servidores do povo, na verdade e na justiça. Quando eram chamados a exercer esse cargo, não se colocavam em bicos de pés julgando-se os melhores e indispensáveis. Preferiam ter sido esquecidos, julgavam-se incapazes de corresponder e acabaram por ser os melhores de entre os melhores em sabedoria, destreza e responsabilidade política, em humildade e persistência, em honestidade e sentido do bem comum, em serviço despretensioso à causa dos povos. Sentiam-se pequeninos instrumentos de uma Providência que se servia deles para a realização de desígnios que os ultrapassava. Perante esta atitude de verdadeira humildade e de enormes sentimentos de incapacidade, com certeza que eles sentiam o conforto da confirmação do Senhor: “Não tenhas medo! Eu estarei contigo!” E assim, escreveram, a letras de ouro, tantas e tão belas páginas da História, servindo o povo de forma honesta e exemplar, com testemunho de vida austera e sentido da sua origem, missão e fim. Não quero dizer com isto que hoje não exista gente que assim pense e trabalhe. Há, e muita. Também não quero afirmar que outrora os líderes sempre foram justos e bons, e interessados pelo bem-estar do seu povo. Não é verdade, houve de tudo e sempre haverá de tudo. Muito menos quero dizer que os crentes sempre foram honestos e bons governantes e os não crentes nunca foram bons. Houve e há crentes fraca rês que continuam a governar como se fossem donos e senhores de tudo e de todos, sentindo-se autorizados a perseguir, matar e destruir em nome de Deus!... Sempre houve e há não crentes que primam pela honestidade e sentido do bem comum, não estão longe do Reino de Deus! Sabemos que a História não é necessariamente um progresso para o melhor e para o bem, como afirmava São João Paulo II. É um acontecimento de liberdade com toda a riqueza, caprichos e ironias que isso engloba. Sobretudo quando ignoramos os êxitos e fracassos do passado, quando pensamos ter descoberto a pólvora no presente, quando presumimos construir o futuro só e apenas com as nossas ideias e projetos que reputamos de geniais.
Costuma dizer-se que o poder e a ganância são as doenças mais contagiosas do mundo, em todos os setores da sociedade, inclusive nas religiões. Estes doentes, porém, quando de braço dado com o esvaziamento de valores e sem respeito pelos outros, dificilmente se aguentam de pé, são como saco vazio. Quando caem na cama ou na lama desses vícios, mesmo que se queiram erguer levando a mão a um qualquer andarilho que se preste ou a generosas ajudas que, interesseiras, se cheguem à frente, o vírus, cada vez mais forte e resistente, também vai contagiar estes reputados apoios. Não têm resistências, não estão vacinados, vão atrair-se mutuamente, vão tornar-se cúmplices!... É o que vemos!...
Alguém, há dias, por este meio de comunicar, lembrava o corrupto e meritíssimo juiz romano que vendia as sentenças a quem melhor lhas pagasse. Chamava-se Lucius Antonius Rufus Appius e assinava as sentenças com as iniciais do seu nome: L. A. R. Appius. Atento e perspicaz como sempre, o povo, juntando essas iniciais, logo batizou esse senhor e os seus colegas de ofício com o nome de Larápios. Isto, porém, aconteceu há mais de dois mil anos quando o mundo carecia de tantos avanços civilizacionais, de tanta acumulação de saberes, de tanta instrução, cultura, tecnologia, percursos académicos e mentes expeditas em habilidades altruístas. Hoje, crescidos em todas estas prerrogativas e prosápias, hoje, isso, larápios, nem pensar…seria até contradizer a evolução da espécie e provocar as diatribes de quem, alfinetados em igual honestidade e acossados por ficarem ao léu, logo se esmerariam em fazer crer que isso não passava de cabalas invejosas, mesquinhas e destruidoras!...
Há pessoas com muito poder, sim, há. Podem até mandar-nos para o chilindró ou fazer-nos a vida cara. Mas, de facto, não têm qualquer espécie de autoridade moral, ninguém acredita nelas. São incoerentes na vida, na palavra e na ação. A par, conhecemos pessoas sem qualquer poder nas mãos mas com uma autoridade moral que nos impressiona. É que o poder recebe-se pelo voto ou doutra forma convencionada, vem de fora. A autoridade nasce dentro, conquista-se pela forma como se vive, pensa, ama e age, servindo com empenho e alegria, ajoelhando-se e lavando os pés às dores do mundo!
Pelos vistos, muitos romanos de antes de Cristo morreram convencidos que existia, nesta parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho que não se governava nem se deixava governar. Eu não vou por aí. Acredito no povo e acredito naqueles líderes que, sem serem escravos de ideologias inúteis, sem se embrulharem em jogos de interesses pessoais ou de grupo, são capazes de aliar em si o poder e a autoridade, a verdade e a justiça, a competência na humildade e um apurado sentido do bem comum, sendo eficazes, gerando confiança e empatia.
A gente do norte, por ironia, diria que líderes assim só será possível encontrá-los em Barcelos. Os desta zona do sul afirmariam que talvez só no Crato ou em Estremoz. Os do centro do país, não sei, mas talvez dissessem que só se os houvesse em Tondela, lá para os lados de Molelos, por exemplo. É que nestes lugares há olarias, cozem bonecos! Eu, porém, como disse, não vou por aí, não, não sou pessimista. Aprecio a nobre arte da política levada a cabo por gente humilde e competente, responsável e com verdadeiro sentido do bem comum, servindo na verdade e na justiça, com alegria e esperança. Admiro quem, apesar das dificuldades, serve a política com esta nobreza e dedicação. Sei quanto o povo precisa de quem o ajude e estimule a ter mais e melhor qualidade de vida em todas as dimensões da sua existência.

Antonino Dias
Portalegre, 14-09-2018.

terça-feira, 17 de julho de 2018

EMBARCAR – Deus quis e assim aconteceu



Quando Deus quer, encontra sempre corações disponíveis para que o Seu Querer aconteça. Nasceu finalmente o EMBARCAR, o Campo de Férias Católico na Diocese de Portalegre – Castelo Branco. 


Por mais que se queira fazer “projecto”, se esse não for um projecto querido por Deus, ele nunca prosperará. Mas o Tempo certo chegou, e o Campo de Férias Católico EMBARCAR, desafiado pelo Secretariado da Juventude e Vocações da diocese de Portalegre – Castelo Branco, aconteceu.
O Verão anuncia o final das aulas e para os adolescentes, um tempo “fora de casa”, “desligados” da televisão, dos tablets e dos smartphones... contra os quais é necessário lutar, para que os eles possam aproveitar um pouco melhor o Tempo de férias de Verão. Para essa luta, nada melhor do que agarrar numa tenda, numa viola (ou outro instrumento musical), nuns calções de banho, num caderninho e numa vontade muito grande de cantar, rezar e partilhar vida num lugar junto ao rio. Foi essa a proposta do EMBARCAR.
Entre os dias 5 e 8 de Julho, reuniram-se na Vila de Constância 23 jovens (entre os 12 e os 15 anos), 8 animadores e 1 padre, vindos de várias paróquias da Diocese de Portalegre – Castelo Branco, para dar início ao Campo de Férias Católico, e que levou a que muitos pudessem viver uma semana diferente com outros jovens e com Deus.
Este Campo de Férias Católico proporcionou aos jovens de uma forma descontraida e divertida, e a partir do ideal do rio, e da vida no rio, um tempo dinâmico de jogo, musica, dança, teatro, poesia, noite de cinema, trabalho de grupos, caminhada a pé, banhos no rio, contacto com a natureza, visita cultural, reflexão, oração e claro... Eucaristia. Jovens que entraram no campo como pequenas petingas e que, após baptismo do Campo, se transformaram em autenticos caparapus e autenticas sardinhas, prontos para a aventura do EMBARCAR.
O Campo de Férias Católico EMBARCAR destina-se a jovens dos 12 aos 15 anos, procurando proporcionar-lhe um tempo diferente com outros jovens na busca de uma maior aproximidade com Deus e com a Igreja. No verão de 2019, o Campo de Férias Católico irá realizar-se de 9 a 14 de Julho na Vila de Constância.
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terça-feira, 22 de maio de 2018

Temos um novo cardeal - D.António Marto


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A nomeação cardinalícia do bispo de Leiria-Fátima foi, de certeza absoluta, uma surpresa para a maioria daqueles que se ocupam destas "cousas" da Igreja na sua organização e governo. O Papa tem vindo a reforçar o papel das “periferias” no Colégio Cardinalício, bem como o carácter universal da Igreja. Por essa razão é que esta nomeação é tão surpreendente.
 Francisco é sem dúvida um Papa reformador. Ao nomear um cardeal para Tonga, que eu próprio tive que procurar no mapa a sua localização, e ao não fazê-lo, por exemplo, para Veneza, onde antes foi cardeal o Papa João XXIII, revela que quer uma Igreja próxima dos cristãos e mais humilde no serviço. E sabemos que enquanto o catolicismo "afrouxa" no mundo ocidental, floresce nessas periferias como a Ásia ou a África.
 Do meu ponto de vista, esta nomeação tem dois aspetos a salientar: 1º o Pontífice reconhece em D. António Marto a humildade e a proximidade com que se relaciona com aos fiéis cristãos, além de plena comunhão com a sua reforma; 2º ao mesmo tempo revela novamente a sua espiritualidade mariana. É bem conhecida a devoção do Papa. Basta recordar a forma como confia à virgem as suas deslocações ao estrangeiro, quando visita a Basílica de Santa Maria Maior, ou então, a nova festa da Igreja que ainda ontem celebramos pela primeira vez: Maria, Mãe da Igreja. A mensagem de Fátima ganha assim uma nova dimensão. Estamos em pleno mês de Maria.
 Quanto ao primeiro ponto, o Papa Francisco já disse repetidamente que o título cardinalício não é honorífico. Recordo a homília do segundo consistório, em 2014: «Já o diz o próprio nome - cardeal -  que evoca o fundamento. Portanto, qualquer coisa que não é acessório, decorativo, que faça pensar numa condecoração, mas um eixo, um ponto de apoio e de movimento essencial para a vida da comunidade. (...) Na Igreja toda a presidência vem da caridade, deve ser exercida na caridade e tem como objetivo a caridade.»
 Do pouco que conheço de D. António Marto, a simplicidade e humildade são duas características que se evidenciam num primeiro contacto. Na reação à sua nomeação estas são bem evidentes, bem como a disponibilidade a colaborar no governo da Igreja, assim que o Bispo de Roma o solicite, e contribuir nas reformas iniciadas por Francisco. O bispo de Leiria-Fátima, na referência que faz ao seu pai, demonstra outra qualidade a que o Papa chama à atenção frequentemente, a resistência ao orgulho: «O meu pai não gostava muito que eu fosse padre, mas depois aceitou. Era um homem de fé católica, muito praticante. Um dia chamou-me à parte, depois da ordenação e disse: ‘lembra-te sempre que vens de uma família humilde, que não te suba o poder à cabeça’. E eu sigo este legado que o meu pai me deixou. Nunca me subiu o poder à cabeça nem aspiro a lugares de poder.»
 A Magnanimidade cardinalícia está em amar sem fronteiras. Quanto mais se alarga a responsabilidade no serviço da Igreja, mais se deve alargar o coração. Saber amar sem fronteiras e ao mesmo tempo cada fiel na sua situação particular e com gestos concretos.
D. António Marto, faço votos dos maiores sucessos no seu novo serviço a Deus e aos irmãos.
Dr Paulo Vitória, "iMissio"

quinta-feira, 17 de maio de 2018

uma “oportunidade para os alunos progredirem e descobrirem o valor da vida”

Bispo da Guarda reafirmou, a disciplina como lugar de conjugação de saberes



D. Manuel Felício escreveu ontem aos pais e encarregados de educação da diocese beirã para afirmar a EMRC como uma “oportunidade para os alunos progredirem e descobrirem o valor da vida”.
Na mensagem, publicada no site da diocese, o prelado sustenta que a escola é lugar de “muitos saberes” sustentando que a disciplina de EMRC é “um saber maior, que pretende conjugar todos os outros saberes e colocá-los ao serviço do bem completo de todas e cada uma das pessoas”:
“As aulas Educação Moral e Religiosa Católica pretendem cultivar este saber, acompanhando os alunos e abrindo-lhes caminhos de vida verdadeiramente feliz”.
Num convite aos alunos a que se inscrevam na disciplina D. Manuel Felício lembrou a importância do diálogo “com os pais e encarregados de educação” e pediu aos mais velhos “acompanhamento” dos discentes “nos processos que estas aulas envolvem”.

 colaborador

domingo, 6 de maio de 2018

QUE A MÃE PROTEJA TODAS AS MÃES




Em Dia da Mãe, lembramos todas as mães da terra, aquelas que já partiram e aquelas que ainda correm em direção à meta. Damos graças a Deus por elas e por elas rezamos, confiando-as à proteção da Mãe de Jesus, a Senhora de Fátima. Rezamos por todas, mas, sobretudo, por aquelas que sofrem injustamente, que vivem sem qualidade de vida, sem amor, sem alegria, sem esperança, sem pão nem paz e são vítimas de violências sem conta.
Vamos viver, neste mês de maio, a Semana da Vida. A vida tem uma referência social associada ao amor e à responsabilidade. Todos temos o dever de defender a vida humana, pressuposto de todos os direitos. A vida não pode ser concebida como um objeto de uso privado que cada um pode usar ou deitar fora de acordo com os seus humores ou determinadas circunstâncias. Respeitamos a vida, recusamos a eutanásia e o suicídio assistido, pois não eliminam o sofrimento, acabam, isso sim, com a vida de quem sofre, é um retrocesso civilizacional. Também não defendemos a obstinação terapêutica, a chamada distanásia, a terapêutica desadequada e excessiva que impede que a natureza siga o seu caminho normal: é má prática médica e eticamente condenável. Defendemos a “carinhotarepia” e os cuidados paliativos, para todos, sempre melhorados em qualidade e eficácia, aqueles cuidados que intervêm ativamente no sofrimento, mitigam a dor e outros sintomas, proporcionam apoio e qualidade de vida ao doente e a seus familiares. E se não somos donos da nossa própria vida, muito menos somos donos da vida dos outros, desde a conceção à morte natural. Por motivos vários, muitas mães sentiram-se forçadas a abortar e vivem agora amarguradas e sem paz. Confiando na infinita misericórdia do Deus da Vida, que elas, de coração renovado e confiante, sejam capazes de levantar o ânimo e de voltar a enfrentar a vida com alegria e esperança. Mas outros abortos são feitos conscientemente e reiterados por muitas mães. Não queremos julgar ninguém, apenas queremos reafirmar que toda a vida humana tem valor e dignidade infinita, reclama acolhimento e proteção.
As crianças, porém, não têm só mãe, também têm pai. E os pais destas crianças assim descartadas, não podem passar como se nada tivesse acontecido, também são corresponsáveis, não podem lavar as mãos da sua consciência para se fazerem crer a si próprios que não têm nada a ver com isso...
Segundo a Organização Mundial de Saúde, são realizados entre 40 e 56 milhões de abortos por ano, 153.425 por dia, 6.393 por hora, 2 abortos por segundo. E segunda dados da Pordata, em Portugal, desde 2008 a 2015, sem contar os abortos clandestinos, foram praticados, voluntariamente, nos estabelecimentos de saúde, 149.725 abortos. “Uma sociedade será tanto mais moderna e avançada quanto melhor trata e cuida dos seus elementos mais vulneráveis, criando leis e normas que impeçam o mais forte de exercer o seu poder sobre o mais fraco”. Nem tudo o que é decidido e aplaudido por maiorias parlamentares tem em conta a ecologia humana e integral em prol do bem comum, muito menos pode ser ética e moralmente aceite.

ORAÇÃO PELAS MÃES

“Louvado sejas, meu Senhor, pelas Mães.
Pela Mãe de cada um de nós;
pela tua Mãe, Maria de Nazaré
que tu quiseste fosse também nossa;
por todas as Mães, ainda vivas ou já falecidas.

Porque todas as Mães são iguais perante o mistério da vida,
todas são mártires e santas,
todas colaboraram Contigo na continuação do género humano.

Louvado sejas, meu Senhor,
pelas Mães pobres e doentes;
pelas Mães sobrecarregadas pelo trabalho, no emprego e em casa;
pelas Mães doadoras de muitas vidas;
pelas Mães que não são amadas pelos seus filhos;
pelas Mães solteiras e pelas Mães que morreram ao dar à luz uma vida nova.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela dedicação que cada um de nós recebeu de sua Mãe;
pela doação de todas as Mães a seus filhos;
e porque, no amor das Mães,
revelas o rosto materno do teu Amor a todos os homens.
Por Cristo, na unidade do Espírito Santo.” (Lopes Morgado, em “Lucas, e paz na terra”.

Antonino Dias
Proença-a-Nova, 04-05-2018.