domingo, 6 de maio de 2018

QUE A MÃE PROTEJA TODAS AS MÃES




Em Dia da Mãe, lembramos todas as mães da terra, aquelas que já partiram e aquelas que ainda correm em direção à meta. Damos graças a Deus por elas e por elas rezamos, confiando-as à proteção da Mãe de Jesus, a Senhora de Fátima. Rezamos por todas, mas, sobretudo, por aquelas que sofrem injustamente, que vivem sem qualidade de vida, sem amor, sem alegria, sem esperança, sem pão nem paz e são vítimas de violências sem conta.
Vamos viver, neste mês de maio, a Semana da Vida. A vida tem uma referência social associada ao amor e à responsabilidade. Todos temos o dever de defender a vida humana, pressuposto de todos os direitos. A vida não pode ser concebida como um objeto de uso privado que cada um pode usar ou deitar fora de acordo com os seus humores ou determinadas circunstâncias. Respeitamos a vida, recusamos a eutanásia e o suicídio assistido, pois não eliminam o sofrimento, acabam, isso sim, com a vida de quem sofre, é um retrocesso civilizacional. Também não defendemos a obstinação terapêutica, a chamada distanásia, a terapêutica desadequada e excessiva que impede que a natureza siga o seu caminho normal: é má prática médica e eticamente condenável. Defendemos a “carinhotarepia” e os cuidados paliativos, para todos, sempre melhorados em qualidade e eficácia, aqueles cuidados que intervêm ativamente no sofrimento, mitigam a dor e outros sintomas, proporcionam apoio e qualidade de vida ao doente e a seus familiares. E se não somos donos da nossa própria vida, muito menos somos donos da vida dos outros, desde a conceção à morte natural. Por motivos vários, muitas mães sentiram-se forçadas a abortar e vivem agora amarguradas e sem paz. Confiando na infinita misericórdia do Deus da Vida, que elas, de coração renovado e confiante, sejam capazes de levantar o ânimo e de voltar a enfrentar a vida com alegria e esperança. Mas outros abortos são feitos conscientemente e reiterados por muitas mães. Não queremos julgar ninguém, apenas queremos reafirmar que toda a vida humana tem valor e dignidade infinita, reclama acolhimento e proteção.
As crianças, porém, não têm só mãe, também têm pai. E os pais destas crianças assim descartadas, não podem passar como se nada tivesse acontecido, também são corresponsáveis, não podem lavar as mãos da sua consciência para se fazerem crer a si próprios que não têm nada a ver com isso...
Segundo a Organização Mundial de Saúde, são realizados entre 40 e 56 milhões de abortos por ano, 153.425 por dia, 6.393 por hora, 2 abortos por segundo. E segunda dados da Pordata, em Portugal, desde 2008 a 2015, sem contar os abortos clandestinos, foram praticados, voluntariamente, nos estabelecimentos de saúde, 149.725 abortos. “Uma sociedade será tanto mais moderna e avançada quanto melhor trata e cuida dos seus elementos mais vulneráveis, criando leis e normas que impeçam o mais forte de exercer o seu poder sobre o mais fraco”. Nem tudo o que é decidido e aplaudido por maiorias parlamentares tem em conta a ecologia humana e integral em prol do bem comum, muito menos pode ser ética e moralmente aceite.

ORAÇÃO PELAS MÃES

“Louvado sejas, meu Senhor, pelas Mães.
Pela Mãe de cada um de nós;
pela tua Mãe, Maria de Nazaré
que tu quiseste fosse também nossa;
por todas as Mães, ainda vivas ou já falecidas.

Porque todas as Mães são iguais perante o mistério da vida,
todas são mártires e santas,
todas colaboraram Contigo na continuação do género humano.

Louvado sejas, meu Senhor,
pelas Mães pobres e doentes;
pelas Mães sobrecarregadas pelo trabalho, no emprego e em casa;
pelas Mães doadoras de muitas vidas;
pelas Mães que não são amadas pelos seus filhos;
pelas Mães solteiras e pelas Mães que morreram ao dar à luz uma vida nova.

Louvado sejas, meu Senhor,
pela dedicação que cada um de nós recebeu de sua Mãe;
pela doação de todas as Mães a seus filhos;
e porque, no amor das Mães,
revelas o rosto materno do teu Amor a todos os homens.
Por Cristo, na unidade do Espírito Santo.” (Lopes Morgado, em “Lucas, e paz na terra”.

Antonino Dias
Proença-a-Nova, 04-05-2018.

sábado, 14 de abril de 2018

D. José Traquina: «Sois a esperança de um amanhã melhor» (c/áudio)

D. José Traquina: «Sois a esperança de um amanhã melhor» (c/áudio): Bispo de Santarém desafiou alunos a “relerem o passado para rasgarem novos futuros”.
No VIII Encontro Nacional do Ensino Secundário (VIII ENES) para alunos de EMRC que decorre em Tomar até este sábado D. José Traquina “investiu” os alunos no compromisso “do bem ao serviço de todos” na linha da ação e ideários dos Templários.
Nas palavras que dirigiu aos cerca de 1700 que se reúnem na cidade do Nabão o Bispo de Santarém começou por convidar os alunos a contemplarem o Lugar onde se encontravam, o Convento de Cristo, e a percecionarem nele a história de tantos homens e mulheres com ideais que sonharam um futuro melhor para si e para os outros:
“Hoje, neste lugar, convido-vos a verdes por detrás do que vemos. Quem construiu esta maravilha que está diante de nós? Homens e mulheres que construíram este lugar porque tinham ideais! Homens e mulheres que sonhavam! Não eram egoístas! Isto constitui-se hoje como um grande desafio para nós”.
O prelado agradeceu aos alunos estarem inscritos em EMRC e aí “poderem debater o futuro comum de toda a sociedade”:
“Agradeço-vos por terem escolhido a EMRC. Aí, e no secundário, sois a esperança de Portugal porque escolhestes um lugar a vossa formação onde podeis, livremente, olhar o mundo, e todas as suas luzes e sombras e debater o futuro!”.
D...

domingo, 1 de abril de 2018

ACREDITES OU NÃO, TAMBÉM MORREU POR TI!...




Nascido numa família humana, saudável e cheio de vitalidade, cresceu em sabedoria, estatura e graça. Trabalhou de carpinteiro e tinha um grande projeto a realizar: o projeto do Seu Pai para a salvação dos homens. Como qualquer ser humano, porém, Jesus sentia fome, sono, sede, cansaço, era sensível perante o sofrimento e a morte alheia, chorou por Lázaro, chorou sobre Jerusalém. De olhar penetrante, bondoso e delicado, dia após dia e noite após noite, nas margens do lago, no cimo dum monte ou onde quer que fosse, Ele fascinava, cativava, edificava as multidões que o procuravam e Lhe pediam que as não deixasse. A Sua maneira simples de ensinar as coisas mais complexas deixava qualquer sábio pedagogo boquiaberto. A expressão do Seu olhar manifestava força e determinação, firmeza de vontade, equilíbrio de emoções, alegria e paz. Aqueles que O ouviam, ficavam maravilhados com a Sua inteligência e nunca conseguiram apanhá-l’O em qualquer laço que lhe armadilhassem. Tinha como amigos os simples, os humildes de coração, os pequeninos, os pobres em espírito. Os inimigos foram os ambiciosos, os hipócritas, os duros de coração, os que se julgavam justos, bons e sabedores. Seguido e acarinhado pelas multidões, a elite mais incomodada com a Sua pessoa faziam correr as opiniões mais díspares sobre quem é que Ele seria e o destino a dar-Lhe.
E que fazer-Lhe se tanta mossa estava a causar a instalados no poder e na injustiça, a sábios de leis e costumes inúteis, a religiosos de piedade fingida e rotineira, Ele que dizia conhecer as Escrituras, que as Escrituras davam testemunho d’Ele e que até já existia antes de Abraão?
Que fazer a este homem que congregava os injustiçados, absolvia os pecadores, curava os doentes, dava vista aos cegos, o andar aos leprosos, a vida aos mortos, ordenava ao mar, repreendia o vento, abalava as estruturas do tempo, chamava hipócritas aos que se julgavam justos porque falsos e fingidos, mandava dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César e até disse que edificaria o Templo em três dias?
Que fazer a quem reunia multidões que até se esqueciam de comer, expulsava os vendilhões do Templo, falava como quem tem autoridade, mandava até nos espíritos maus, expulsava demónios, desobedecia à lei do sábado e do jejum, oponha-se ao divórcio, ensinava que a autoridade é serviço, que quem quisesse ser o maior se tornasse o mais pequenino de todos, que era preciso nascer de novo, que desviava para si a atenção do povo, dos jovens e das crianças, que lavava os pés aos discípulos e se manifestava tão subversivo na serenidade e tão pacificamente revolucionário?
Que fazer a este homem que multiplicou os pães e os peixes, que fez abundar a pesca e transformou a água em vinho, que passava noites inteiras em oração e apreciava a natureza, a noite, as montanhas, o mar, que chamava a atenção para a beleza dos lírios dos campos que nem trabalham nem fiam, e para os passarinhos que não semeiam, não colhem, nem juntam em armazéns e Deus cuida de uns e outros, Se servia de imagens da natureza para comunicar e ensinar, em pequeninas histórias, a beleza da Sua mensagem?
Que fazer quando os Seus próprios parentes diziam que Ele “tinha ficado louco”, os doutores da lei afirmavam que Ele estava possuído por Belzebu, que era um blasfemo e uma espécie de formiga branca na sociedade, um terrorista social indesejável?
Que fazer a este homem que à Samaritana Se apresenta como o Messias que havia de vir ao mundo, no Seu Batismo e na Transfiguração o Pai Se manifesta dizendo que Ele é o Seu filho muito amado, Natanael professa que Ele é o Filho de Deus e Rei de Israel, Marta afirma que Ele é o Cristo, o Filho de Deus que haveria de vir ao mundo, os Apóstolos pescadores reafirmam que verdadeiramente Ele é o Filho de Deus, e Ele próprio afirmava que Deus era seu Pai, dizia-se igual a Deus, que Ele e o Pai eram a mesma coisa, e mesmo diante do Pontífice afirma ser o Messias, o Filho de Deus, que era rei mas que o seu reino não era deste mundo, e até os anjos O vieram servir no deserto?
Que fazer a este homem a quem até o vento e o mar lhe obedecem, o povo se extasia porque nunca ouviu ninguém falar como esse homem, nunca viu nem ouviu coisa assim, que presenciou e viu, na verdade, fazer coisas tão estranhas?
Isto era coisa demais para aquelas cabecinhas muito seguras de si e donas da verdade. Eles pensavam ter o monopólio de falar sobre o Messias que haveria de vir. Sim, até pensariam que Ele, o Messias, ao chegar, até haveria de ir ao encontro deles para os saudar com mesuras e salamaleques e lhes perguntar o que é que havia a fazer e se lhe permitiam fazê-lo!
Mas Jesus não deu o braço a torcer, era livre demais, sabia o que queria e era obediente ao Pai. Veio para os pecadores e para os doentes que precisavam de médico. Mas a coisa foi-se tornando insustentável, foi-se agudizando cada vez mais, tornou-se mais incómoda, mais tensa, sem saberem muito bem o que Lhe haviam de fazer. É verdade que alguns daqueles que ouviam as palavras de Jesus diziam: De onde Lhe vem esta sabedoria e estes milagres? Este homem não é filho do carpinteiro? A Sua Mãe não se chama Maria e Seus parentes não são fulano e fulano …? Então de onde Lhe vem tudo isto?. E escandalizavam-se por causa de Jesus. Outros diziam que Ele era João Batista; outros, Elias; outros ainda, que era Jeremias ou algum dos profetas. Outros, por sua vez, diziam: «Ele é realmente o Profeta». Outros afirmavam: «É o Messias». Outros, porém, diziam: «Poderá o Messias vir da Galileia? Não diz a Escritura que o Messias será da linhagem de David e virá de Belém, a cidade de David?». Outros, casquilhavam: “É um profeta como os profetas antigos”. Herodes, porém, disse: “Ele é João Batista. Eu mandei-o decapitar, mas ele ressuscitou”. E vós quem dizeis que Eu sou?, perguntou Cristo a Pedro e Pedro respondeu: “Tu és o Messias”, “o Filho de Deus vivo”.
Até que a medida transbordou. Chegada a hora, pelo silêncio da noite, lá veio uma multidão, armada de espadas, paus e varapaus ao encontro de Jesus e Judas entrega-O com um beijo! Aquele que passou pelo mundo fazendo o bem, estava numa angústia de morte, suou sangue, foi preso, traído pelos amigos, abandonado pelas multidões, levado de Anás para Caifás, de Caifás para Pilatos, de Pilatos para Herodes, de Herodes para Pilatos, esbofeteado, cuspido, flagelado, vilipendiado, zombado, escarnecido, coroado de espinhos. E Pilatos disse: “não encontro nenhum crime n’Ele” e “Herodes também não encontrou”. E a mulher de Pilatos mandou dizer-lhe: “não te envolvas com esse justo”. Mas eles gritaram: “Mata esse homem! Solta-nos Barrabás”, “Crucifica-O, crucifica-O”. “Mas que mal fez Ele?”, “Crucifica-O”. Pilatos, porém, para agradar à multidão, dizendo que não era responsável pela morte desse homem, lavou as mãos, mandou flagelar Jesus e entregou-O para ser crucificado. Pregaram-n’O na cruz, deram-Lhe vinagre a beber, sortearam as Suas vestes, insultaram-n’O, ironizaram, espetaram-Lhe uma lança no peito, mataram-no, injustiçado, sem dó nem piedade, e confirmaram a Sua morte. O oficial do exército, porém, que estava em frente da cruz, ao ver como Jesus tinha expirado e os fenómenos que se associaram a este momento, exclamou: “Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus!”. Infelizmente, este reconhecimento veio tarde demais para Jesus, mas, por certo, foi momento de graça para esse centurião. No entanto, a morte de Jesus continua a ser escândalo para uns e loucura para outros, mas poder e amor de Deus para todos, quer se queira e se acredite quer não se acredite nem se queira.

Antonino Dias
Castelo Branco, 29-03-2018

quinta-feira, 22 de março de 2018

VIII Encontro Diocesano de alunos de EMRC da diocese de Portalegre - Castelo Branco



"A opção pela disciplina rasga caminhos para a Vida"



As “portas da cidade” de Portalegre abriram-se para acolher dezenas de professores e várias centenas de alunos de Educação Moral e Religiosa Católica, no VIII Encontro Diocesano de Alunos de EMRC, do 9º ano e ensino secundário, da diocese de Portalegre-Castelo Branco.
Trata-se de uma atividade que consta no Plano Anual de Atividades do Secretariado Diocesano do Ensino da Igreja nas Escolas, da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, tendo sido escolhido como tema do Encontro deste ano: “Histórias de jovens para jovens”.
 Durante a manhã e após o acolhimento, onde os professores de EMRC de Portalegre e a Presidente da Câmara Municipal de Portalegre deram as boas-vindas a todos os presentes, seguiu-se, por sugestão dos alunos do 12º ano da Escola Secundária Mouzinho da Silveira – Portalegre, a integração dos presentes (alunos e professores) em grupos, onde foi possível conhecer e conviver com outros colegas visitando alguns locais e museus significativos da cidade, nomeadamente o Mosteiro de S. Bernardo – actual escola da GNR – as instalações da Caritas diocesana, o edifício dos Paços do Concelho ou os Museus - da Tapeçaria e a Casa-Museu José Régio, com destaque para a visita à Sé, onde o Sr Bispo da Diocese, Dom Antonino Dias, acolheu e cumprimentou os 25 grupos de alunos. 
Após o almoço partilhado, no Mercado municipal, tipo “piquenicão”, onde não faltou a música nem uma aula de zumba, o Sr Bispo falando aos presentes, deu-lhes a conhecer um pouco da história da Diocese, referiu que a diocese de Portalegre-Castelo Branco é uma Diocese desertificada e envelhecida e agradeceu o trabalho dos professores bem como a opção de muitos jovens pela inscrição na disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica, “é para rasgar caminhos para a vida”.
Seguiu-se, em palco a atuação de bandas de música compostas por alunos e momentos de dança com muita animação.

Ao longo do dia verificou-se muita alegria, interação, partilha de experiências e convívio entre os alunos das várias escolas ou agrupamentos de escolas que marcaram presença.

Colaborador Manuel

sexta-feira, 16 de março de 2018

DIA DO PAI EM DIA DE SÃO JOSÉ



Filipe disse a Jesus: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta”. Jesus respondeu: ”Há tanto tempo que estou no meio de vós e ainda não Me conheces, Filipe? Quem Me viu, viu o Pai. Como é que me dizes: “mostra-nos o Pai? Não acreditas que o Pai está em Mim e Eu estou no Pai?” (Jo 14, 8-11).
“Mãe, mostra-nos o pai e isso no bastará”, dirão muitos filhos de pai ausente, os filhos duma «sociedade sem pais». Hoje, porém, mercê duma vida superocupada e a correr como quem foge à polícia, mesmo que os afazeres familiares sejam compartilhados tanto pelo pai como pela mãe, a vida de muitas mães também se tornou difícil, complexa e cansativa. É aquilo que é e nem sempre aquilo que o próprio casal quis ou desejaria que fosse. Nestas circunstâncias, também alguns filhos poderão implorar: “pai, mostra-nos a mãe e isso nos bastará”. Se Jesus está no Pai e o Pai está n’Ele, se Jesus é o rosto visível do Pai invisível, sempre presente, atual e atuante, em identificação e comunhão total e eficaz com o Pai, entre nós, porém, os meramente humanos, nem a mãe está no pai, nem o pai está na mãe. A presença da mãe não preenche a ausência do pai, nem a presença do pai preenche a ausência da mãe. São homem e mulher, cada um com a sua muito própria e específica missão e vocação de pai e mãe. As suas pessoas e presença não se identificam, nem, para bem do todo que é a família, a sua missão se deveria inverter ou fazer substituir. Mas hoje vamos falar apenas do pai, celebramos o Dia do Pai, celebramos o dia litúrgico de São José.
O que, em nossos dias, está em causa, não é tanto, como refere o Papa Francisco, a “presença invasora do pai” como acontecia no passado. É, sim, “a sua ausência”. Por vezes, “o pai está tão concentrado em si mesmo e no próprio trabalho ou então nas próprias realizações individuais que até se esquece da família”. Além disso, o “tempo cada vez maior que se dedica aos meios de comunicação e à tecnologia da distração”, a maneira suspeitosa com que se olha a autoridade, a forma como “os adultos são postos em discussão”, e eles próprios “abandonam as certezas” e “não dão orientações seguras e bem fundamentadas aos seus filhos”, tudo, tudo isso prejudica o processo adequado de amadurecimento que as crianças precisam de fazer. “Deus coloca o pai na família, para que, com as características preciosas da sua masculinidade, esteja próximo da esposa, para compartilhar tudo, alegrias e dores, dificuldades e esperanças. E esteja próximo dos filhos no seu crescimento: quando brincam e quando se aplicam, quando estão descontraídos e quando se sentem angustiados, quando se exprimem e quando permanecem calados, quando ousam e quando têm medo, quando dão um passo errado e quando voltam a encontrar o caminho”. Pai presente “não significa ser controlador, porque os pais demasiado controladores aniquilam os filhos”. Por outro lado, alguns pais “sentem-se inúteis ou desnecessários, mas a verdade é que os filhos têm necessidade de encontrar um pai que os espera quando voltam dos seus fracassos. Farão tudo para não o admitir, para não o revelar, mas precisam dele” também para que não “deixem de ser crianças antes de tempo” (AL176-177).
De facto, é próprio da missão do pai ser, em comunhão com a esposa com quem compartilha tarefas e abraça responsabilidades, ser grata referência no seio da família pela sua forma de ser e estar, pela maneira como entusiasma e louva, como brinca e adverte, pela segurança que sempre transmite, pela empatia que o seu exemplo é capaz de gerar e estimular a crescerem com ele, indo, se possível, ainda mais além. Muitas vezes, no mar da vida de crianças, adolescentes, jovens e até adultos, as ondas batem forte demais, os ventos sopram violentamente, o barco parece afundar-se, há silêncios sofridos, há medos a precisarem de ser destronados, realidades simples que parecem fantasmas monstruosos, há terramotos existenciais que abalam, destroem e fazem sofrer. No meio de tudo isto, como será importante que o pai ajude a identificar a suave brisa em que o Senhor se manifesta (1Reis 19, 11-13), que ajude a distinguir as ondas dos ventos, os fantasmas da realidade, os terramotos do simples estremecer, que ajude a bem discernir, com discrição, serenidade e segurança, que aponte possíveis direções a seguir em liberdade, que ajude a rasgar amplas estradas para a vida, incutindo alegria e esperança: “Coragem, não tenhas medo!”.
A par, consciente da sua vocação e missão, o pai presente sabe rezar em nome da família e pela família, sabe agradecer e louvar, sabe convidar a família a louvar e a agradecer. Pelo seu natural testemunho de vida, faz crescer a família em confiança no Senhor, no Senhor que lhe deu a graça de partilhar a responsabilidade do seu lar, comunidade de vida e de amor. A Sagrada Escritura apresenta-nos vários pais a pedir ao Senhor, com fé e humildade, a cura dos seus filhos doentes. Jairo, por exemplo, um dos chefes da sinagoga, caiu aos pés de Jesus a pedir-lhe com insistência: “A minha filha está a morrer. Vem e põe as mãos sobre ela, para que sare e viva”. Jesus acompanhou Jairo e restituiu-lhe a filha com saúde (Mc 5, 21-43). Em Cafarnaum, um funcionário real cujo filho se encontrava gravemente doente, saiu ao encontro de Jesus a pedir-lhe que o curasse: “Senhor, desce, antes que meu filho morra”…”Podes ir que o teu filho está vivo”, o homem acreditou na Palavra de Jesus, foi-se embora e encontrou o filho curado (Jo 4, 46-54). Outro pai aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se e implorou: “Senhor, tem piedade do meu filho. Ele é epilético e tem ataques tão fortes que muitas vezes cai no fogo e na água”. E Jesus curou o menino (Mt 17, 14-20).
Para além dos filhos, toda a sociedade lucra quando os pais exercem bem a sua missão de pais, quando dão orientações seguras e bem orientadas, quando transmitam modos, princípios e valores estruturantes da vida, quando iniciam os seus filhos no bom exercício da cidadania civil e eclesial, quando as funções entre pais e filhos não são invertidas nem substituídas.

Antonino Dias
Isna de Oleiros, 16-03-2018.

quinta-feira, 8 de março de 2018

VIIIº Encontro Diocesano de Alunos de EMRC, 9º ano e Secundário

Esta atividade  consta no Plano Anual de Atividades do Secretariado Diocesano do Ensino da Igreja nas Escolas,  assim como de todas as escolas envolvidas e por isso gostaríamos de poder contar com todos... 
Este ano a realização deste encontro será na cidade de Portalegre e pretende que os jovens acolhedores levem os acolhidos a visitar e conhecer as valências mais significativas da cidade de Portalegre e a própria Sé, encontrando-se e cumprimentando o Sr Bispo, D. Antonino...
Depois do almoço partilhado, tempo para convívio e alegria próprios deste dia... Onde sobressaem os talentos da juventude.

Manuel