domingo, 9 de março de 2014

Encontro de docentes de EMRC de Portalegre-Castelo Branco





“A fé não é um curso, um discurso, mas um percurso.”




Decorreu no dia 8 de Março, na Casa Diocesana Mem Soares, um Encontro de Docentes de Educação Moral e Religiosa Católica, da Diocese de Portalegre-Castelo Branco. O Encontro foi orientado pelo Sr. Bispo D. Antonino. Depois dos cumprimentos, ao sabor do bonito sol com que fomos presenteados, teve início às 10 horas a oração da manhã. De seguida, D. Antonino, deu início à reflexão centrada na família, nas mudanças que se têm operado na sociedade e que afetam direta ou indiretamente a célula familiar. Chamou a atenção para a Carta Pastoral difundida pela Conferência Episcopal Portuguesa a propósito de ideologia do género, “uma verdadeira revolução antropológica”, cada vez mais difundida mas que leva a erros de interpretação e nem todas as pessoas disso se apercebem. Trata-se de um movimento cultural que tem sérios reflexos na compreensão da família, na esfera política e legislativa. Desafiou os docentes e ler o documento e a prepararem-se para elucidar os seus alunos tanto nesta, como noutras matérias. Reforçou ainda o facto de esta ideologia do Género ir contra a visão bíblica e cristã da pessoa e da sexualidade humanas.
Dirigiu-se depois diretamente aos professores dizendo: “Sois professores de EMRC e estais nas escolas em nome da Igreja, num tempo com muitos modos de pensar, agir, sentir. É neste campo que o professor de EMRC tem que exercer a sua Missão, é aqui que tem de propor a fé”. Salientou a necessidade de tomarmos consciência que a fé não é algo que se impõe, mas que se propõe. “Isto implica mudança de atitude, de presença, de linguagem e de convicções. Não é fácil, mas é uma meta a apontar, um caminho que precisamos trilhar”. Insistiu bastante nesta ideia, da proposta de fé, para que cada um possa depois fazer as suas escolhas em total liberdade.
Voltou ao tema da família para demonstrar como as mudanças sociais também levaram a mudanças na família. Há alguns anos atrás, esta era a transmissora dessa fé, hoje, muitos dos nossos alunos, têm um primeiro contacto com a fé nas aulas de EMRC ou na catequese, por isso a responsabilidade é grande. É preciso ter ideias claras e não partir de pressupostos. “Os alunos têm que encontrar no professor de EMRC o apoio perante as dificuldades que enfrentam, precisam sentir que não estão sós, que não são abandonados. Por isso o professor tem que propor valores sólidos a partir de metas alcançáveis”, referiu D. Antonino.
Falou depois de uma característica que é fundamental nos cristãos e claro ainda mais num professor de EMRC, a alegria. “Devemos evangelizar com alegria”. Na primeira exortação apostólica do Papa Francisco, “Evangelii Gaudium”, A Alegria do Evangelho, o Papa, logo na introdução diz-nos: “Quero, com esta exortação, dirigir-me aos fiéis cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos”. Foi a partir deste desafio do Papa que também D. Antonino lançou o mesmo desafio aos professores, socorrendo-se das palavras do Papa Bento XVI “a fé não é um peso, mas uma fonte de alegria”.
Por isso, a aposta vai no sentido de levar os outros “a fascinarem-se com Deus. É preciso educar para a beleza e com beleza”, disse D. Antonino. Nos tempos conturbados e de mudança a que assistimos é preciso propor a fé com beleza e encanto, com a alegria de ser cristãos. Lembrou que nós não somos o centro do anúncio, temos que ser o reflexo daquilo e daquele que propomos. Só conseguimos isso, disse D. Antonino se estivermos bem enraizados com as razões da nossa fé. A mensagem passa pelo testemunho, “temos que viver o que anunciamos”. E foi com esta mensagem de alegria, de radicalidade no anúncio do Evangelho que D. Antonino terminou a sua comunicação.
Seguiu-se a Eucaristia, cuja reflexão neste 1º Sábado da Quaresma, levou a interiorizarmos a necessidade de ultrapassarmos a indiferença que percorre a nossa sociedade. “O homem precisa da Palavra de Deus” disse D. Antonino. Apelou à conversão e mudança de vida. Não nos ficarmos por mais uma Quaresma, mas que algo de novo possa acontecer.
Às 13 horas aconteceu o almoço e na parte da tarde um tempo para algumas informações, nomeadamente de preparação dos encontros do 9º ano e Secundário em Alter do Chão, no dia 1 de Abril, do IVº encontro Nacional do Secundário em Braga nos dias 23 e 24 de Abril, do XIVº Interescolas do 1º Ciclo em Fátima no dia 23 de Maio, assim como de outras informações pertinentes de modo a superar os novos desafios que se avizinham, no caso especifico dos concursos abertos em 2014 para seleção e recrutamento de docentes de EMRC, e também dos concursos de contratação de escola que abrirem no próximo ano letivo de 2014-2015, nos estabelecimentos de ensino situados na área geográfica desta Diocese de Portalegre-Castelo Branco.
 
Conceição Cardoso

terça-feira, 4 de março de 2014

Fizemos Caminho…!








Foi nos dias 1, 2 e 3 de março, que os alunos 
do 9º ano de Educação Moral e Religiosa Católica
do Agrupamento de Escolas da Sertã, partiram 
em peregrinação rumo Santiago de Compostela.



Fizeram-se ao caminho, certos de que nunca estariam sozinhos, antes sempre acompanhados: por aqueles que ficaram em casa a torcer para que tudo corresse bem, pelos amigos de sempre, pelos novos amigos, pelos professores, por Deus… e por um novo amigo, muito especial, cheio de lições para ensinar! O Peixe, personagem principal da história “Peixe e o Mar” de Nuno Tovar de Lemos sj, que serviu como tema base desta peregrinação, preferia viver à superfície do mar, sem riscos, em vez de ir mais fundo, conhecer o mar verdadeiramente e apreciar e usufruir de toda a beleza que ele oferece. Com o tempo, acabamos por perceber que este peixe e a sua história nos são bastante familiares: ela reflete muito daquilo que é a nossa relação com Deus, às vezes à superficie, com medo de nos conhecermos mais intimamente, de O conhecermos mais intimamente e de nos deixarmos levar por Ele.
Por isso, durante estes dias, alunos e professores foram convidados a caminhar e a deixar-se levar… numa atitude de confiança, entrega e disponibilidade para conhecer um pouco mais de si mesmos e de Deus, uma vez que caminhar não é só trilhar caminhos, mas também atrever-se a trilhá-los interiormente, com a vida e o coração.
E que bom que foi poder acompanhar estes jovens na sua caminhada de aprofundamento desta relação com Ele! Nesta caminhada, ser professor ganhou mais sentido: foi muito gratificante viver e proporcionar esta experiência de Deus a estes jovens e testemunhar neles uma sede imensa de viver o silêncio, de criar relação com Deus, de se poderem encontrar com eles próprios e com os que os rodeiam!
Foi ainda um privilégio poder partilhar esta aventura com a comunidade de pioneiros do Agrupamento de escuteiros 624 de Cebolais de Cima. A troca de experiências, saberes e vivências e a alegria sempre constante contribuiram para que esta experiência se tornasse ainda mais especial.
O ambiente de serviço e cooperação entre todos foi essencial, pois sempre é verdade o que se diz: “A união faz a força”. Por isso, não seria possível proporcionar todas estas vivências sem a colaboração incansável das professoras de Espanhol que acompanharam o grupo, bem como a dos outros docentes e dos chefes da Comunidade de Pioneiros, sempre disponíveis.
Seria impossível não chegarmos ao fim desta peregrinação profundamente agradecidos por tanta riqueza, tanto bem recebido! Pelo convívio e brincadeira; pela partilha e entre-ajuda; pelo silêncio e oração; pelos sorrisos e olhares cheios de sentido, cheios de Deus!
No caminho, um peregrino que passava de bicicleta desejou-nos “¡Buen Camiño!
 
E não é que foi mais do que bom?! Afinal de contas... Fizemos caminho!

Professor Manuel António